domingo, 8 de maio de 2011

Masters 1000/Madri - Marcante

Quem acessa este blog com alguma frequência já deve ter reparado que eu sempre fui muito crítico em relação a Thomaz Bellucci. Então, antes de falar sobre o torneio, vou explicar meu ponto de vista.

Acompanho tênis firmemente desde a época de Gustavo Kuerten. Em 1997, quando ele levantou pela primeira vez o troféu em Roland Garros, eu tinha 10 anos. Sempre fiquei atento às conquistas de Guga, torcia por Agassi contra Sampras (hoje em dia já mudei de idéia), nunca fui fã do jogo de Roddick, aprecio demais a técnica e as conquistas de Federer e me espanto com a regularidade de Nadal.

Fiz esse pequeno histórico para mostrar que acompanho o esporte, com maior ou menor intensidade, há algum tempo. Mas o grande "click" que tive para o tênis foi em 2008, com a ascensão de Bellucci. Acompanhei os sucessos nos challengers, acompanhei as primeiras partidas dele nos ATP's 250 - a primeira vitória, contra Werner Eschauer, em Buenos Aires, por exemplo - vibrei com o duelo conta Nadal naquele mesmo ano, o título de Gstaad, o título de Santiago, etc.

Hoje, aliás, posso dizer, o tênis é o esporte que mais me absorve, ganhando do futebol, do automobilismo e do golfe.

Justamente por ter acompanhado os resultados do paulista durante todo esse tempo, fico extremamente irritado com alguns resultados fracos que ele obtém. E, nos últimos meses, eles foram a regra, não a exceção, o que, até, chegou a me desmotivar.

Só que, ao contrário do que parece, gosto bastante de Bellucci. E aplaudo de pé a campanha que ele fez no Masters 1000 de Madri.

A campanha do canhoto de Tietê foi brilhante. Passou fácil por Andujar (que venceu Casablanca há algumas semanas), suou, mas bateu Florian Mayer e, aí... e aí?

Aí veio a maior vitória da carreira de Bellucci. 6-4 e 6-2, placar incontestável contra Murray, o número 4 do mundo. Não bastasse esse grande triunfo, derrubou o sempre perigoso Berdych, também em sets diretos, e chegou a uma semifinal gigantesca, acompanhado pelos três líderes do ranking.

"Deu azar" por estar no lado da chave do melhor jogador do mundo, ainda nº2, Djokovic. Mesmo assim, teve chances reais de vencê-lo. Não ganhou, entre outros motivos, pela infinitamente maior experiência do sérvio em situações decisivas neste nível. Foi, afinal, a primeira ocasião em que Bellucci efetivamente se meteu entre os melhores.

O saldo é folgadamente positivo. Thomaz jogará Roma com uma cabeça totalmente diferente da que tinha há 10 dias, antes da campanha sensacional na capital espanhola. Infelizmente deu azar, mais uma vez, e deverá cruzar com Rafael Nadal logo na segunda rodada. Excelente oportunidade para ratificar a mudança de nível. Não significa que terá que vencer o "touro miúra", mas quem sabe, fazê-lo suar mais do que nos encontros anteriores, ambos em Roland Garros.

O mundo tem novo dono

É de abismar. Novak Djokovic parece um robô em 2011, dos mais eficientes. Estendeu a série invicta a 32 jogos quando passou por cima de Nadal em todos os aspectos. Certo, já tinha conseguido isso em Indian Wells e Miami, mas tinha retrospecto de nove derrotas em nove jogos no saibro. Quebrou o tabu e deixou claro para o espanhol que está "mal intencionado".

Nadal precisará ir além do limite em Roma e, duas semanas depois, em Roland Garros. E, talvez, nem isso lhe baste para manter as duas coroas.

Por outro lado, Federer parece estar em vertiginoso declínio. Depois do sufoco inesperado (e ridículo) que tomou de Feliciano López na estréia, até conseguiu boas vitórias contra Malisse e Soderling, mas está cometendo erros em demasia. Não tem bola para derrotar Nadal ou Djokovic. Espero, de verdade, que consiga aprumar os golpes nas próximas semanas e fazer um grande torneio em Paris, mas não aposto nisso.

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