sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ano novo, vida nova

2011 foi um ano tenebroso pra mim, mas confio que 2012 seja ótimo para todos nós.

E, com isso em mente, me proponho a retomar este espaço, e, quem sabe, promovê-lo melhor.

Conto com todos.

Um 2012 nota 10 a todos que passam por aqui!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ROLAND GARROS - Mais do mesmo

O título do post não é, em absoluto, depreciativo ao feito de Rafael Nadal. Pelo contrário, trata-se de um elogio ao maior jogador da história nas quadras de saibro.

Ele chegou oficialmente a esse status ao derrotar Roger Federer numa final de Roland Garros pela quarta vez em seis temporadas, alcançando, assim, a sexta taça em Paris. Igualou Bjorn Borg em número de títulos nesse Grand Slam, mas, na prática, já alcançou muito mais sobre a terra batida que o sueco (32 dos 46 títulos do espanhol foram no saibro, incluindo 14 Masters Series/Masters 1000).

Há um fator que valoriza ainda mais a consagração do espanhol: ser contemporâneo de Federer, o maior de todos os tempo, de acordo, inclusive, com o próprio Nadal. O triunfo de ontem foi o 17º do Touro Miúra, contra somente oito do suíço.

Prova de que Nadal foi e é um dos poucos a conhecer os pontos fracos do recordista de Slams e, mais importante, atacá-los com eficiência. Historicamente, outro que se encaixa nesse perfil é David Nalbandian, diga-se.

Ontem, Federer teve chances, e não foram poucas, de vencer. Fez primeiro set irrepreensível até sacar em 30-15 quando liderava por 5-3, já tendo desperdiçado um set point no saque de Nadal. Esse foi o turning point da decisão. Nadal engatou cinco games vencidos na sequência, fechou em 7-5 e deu o grande passo para a conquista.

O campeão de 2009 ainda levou o segundo set para o tie-break, mas não teve êxito nele. Ganhou o terceiro set por 7-5, mas, quando parecia esboçar uma reação, foi aniquilado por Nadal na quarta e derradeira parcial.

Foi a técnica que definiu a sorte deste Roland Garros? Certamente, não. Foi a mente dominante de Rafa que preponderou sobre a de Roger. Assim, nos momentos críticos, apareceram os aces, winners e a defesa monstruosa de Nadal. E o adversário, mais uma vez, naufragou.

A liderança do ranking mundial não mudou de dono, ao contrário do que se imaginava até quatro ou cinco dias atrás. Claro, Djokovic ainda está em boa posição para chegar lá, e ainda depende só de si para tal. Mas, em Wimbledon, terá que acontecer a combinação que faltou em Roland Garros: o sérvio chegando à final ou torcendo para que Rafa não repita o título de 2010.

E, convenhamos: agora, ainda mais, apostar contra Nadal não parece ser a ideia mais inteligente.

sábado, 4 de junho de 2011

ROLAND GARROS - Para um torneio épico, uma final entre gênios

Não pude escrever as análises de Roland Garros fase a fase, como pretendia. Mas houve tempo para que eu pudesse relatar os jogos semifinais da chave masculina. Um deles, diga-se, entrou para a história e na minha lista dos cinco melhores que já vi.

Marchemos em ordem cronológica. Na primeira partida, o desleixado Andy Murray não parecia ter estabilidade o bastante para prevalecer num duelo de cinco sets contra Rafael Nadal.

E não teve mesmo.

O espanhol utilizou a característica mais marcante dele próprio no saibro: o poder supremo nas devoluções. Mais precisamente: a capacidade de intimidar o saque do adversário, utilizando a postura vencedora e golpes de muita intensidade e qualidade, fazendo com que o oponente sofra e sue sangue para confirmar o serviço.

Aliás, é bom que se frise: não há mais nenhuma grande brecha no jogo de Nadal. Forehand matador, backhand estável, subidas à rede seguidas de bons voleios. E muita, muita perna. Chegando em todas as bolas.

Em Roland Garros, contudo, o saque do "touro miúra" tem sido menos eficiente do que de costume. Tanto que Murray teve mais break points do que ele (18 a 13). Como disse anteriormente, a diferença foi a devolução de Nadal, e, consequentemente, a conversão de mais chances de quebra do que o adversário (6 a 3). No fim das contas, 6-4/7-5/6-4 foi um placar justo e mostrou que Andy ainda tem muito a melhorar nos jogos decisivos contra os cachorrões.

E, na sequência, veio o clássico. O jogão.

Djokovic assumiria a liderança do ranking mundial com a vitória e, de quebra, estenderia sua invencibilidade a 44 jogos, um feito e tanto no tênis moderno. Estava mais descansado que o adversário, tendo em vista a classificação por W.O (graças à desistência de Fábio Fognini antes do confronto válido pelas quartas). Era o destino conspirando a favor do sérvio, evidente.

Mas o senhor (monsieur fica melhor) Destino esqueceu de combinar com o rival de Nole nessa semifinal. Que não ganhou nenhum título em 2011, tendo sido derrotado pelo próprio Djokovic em três ocasiões na atual temporada. Que, de acordo com muitos, já estava começando a pensar na aposentadoria, já que a qualidade de jogo parecia estar em declínio.

Só que... uma vez Roger Federer, sempre Roger Federer.

E ele fez como nos melhores momentos da carreira. Talvez, num nível superior a qualquer outra partida que ele tenha disputado no saibro.

O suíço atacou e se defendeu com maestria rara, que só os grandes gênios do esporte são capazes de utilizar. O desempenho no segundo set, diga-se de passagem, foi espetacular, coisa de filme. Mas era real, muito real.

A valentia de Djokovic esteve lá, e ajudou o número 2 do mundo a faturar o terceiro set, mas só serviu para adiar o golpe de misericórdia desferido por Federer, no tie-break do quarto set, fechando tudo em 3 a 1 (7-6/6-3/3-6/7-6). Uma batalha em altíssimo nível.

Para mim, sendo honesto, foi difícil assistir a esse jogo. São meus dois favoritos na turnê, de longe. Estilos diferentes, mas qualidade e carisma lá em cima. Veja abaixo o ponto que definiu o jogo.

O que esperar da final

Não sei se o histórico entre Nadal e Federer em Roland Garros vai ter alguma influência na partida de amanhã em termos de motivação. Creio que não, sobretudo por ambos serem supermotivados por natureza. Nasceram para vencer, em resumo, e sempre fazem tudo o que podem para chegar lá.

O que, de fato, poderá pesar é o estilo de jogo dos dois. Todos sabemos que o hyper top spin do espanhol castiga sem dó o suíço, especialmente no revés. Se eu tivesse que apontar um placar e um favorito, racionalmente diria 3 a 1 para Nadal.

Mas minha torcida será intensa pelo Fedexpress.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

GP DE MÔNACO - A medida da sorte

É sintomático: quando a fase é boa, tudo dá certo. Sebastian Vettel é a mais nova prova viva disso.

Não fossem as entradas do safety-car, exatamente nos dois momentos em que aconteceram, a vitória teria sido folgada para Jenson Button. Devido, e muito, à falha da Red Bull na primeira parada do alemão, diga-se.

Mas Vettel não teve nada a ver com as pancadas de Massa e Petrov. Assim como Alonso, outro que se aproveitou desses períodos de bandeira amarela. Levou a Ferrari ao pódio pela segunda corrida seguida graças ao próprio talento, que transborda o mediano carro de 2011 da equipe italiana.

São, aliás, os rompantes de talento que Vettel e Alonso apresentam que os diferenciam dos companheiros de equipe. Tirando o GP da China, em que Webber fez, de fato, uma prova espetacular, quando foi a última vez que vimos o australiano e Massa realizarem uma grande exibição?

Outro que faz parte do grupo dos talentos acima da média, Hamilton, também foi protagonista em Monte Carlo. Ou melhor, antagonista. Batendo em Massa, Maldonado e em quem mais viesse pela frente, tomou punições e saiu bufando. Chegou a ironizar, dizendo que estaria sendo perseguido porque é negro. Algo que não parece muito razoável nos dias de hoje.

Agora vem o Canadá, uma pista simpática, uma cidade agradável. Muitos pilotos dizem que este é o GP favorito deles. E, com a asa-móvel e os pneus de algodão, deve ser, mesmo, dos mais interessantes.

domingo, 29 de maio de 2011

GP DE MONACO - Dia 2

Rapidinho:
- Muito feio o acidente de Sérgio Perez. Felizmente, nada de tão grave. Mas mostrou que, mesmo com a evolução fantástica da segurança dos carros da F-1, ainda há choques que podem causar muita preocupação.

- Impossível não lembrar do acidente de Wendlinger, no mesmo ponto, em 1994. O austríaco, lembremos, ficou semanas em coma e correu risco de vida. (veja aqui a batida de Wendlinger)

- Assim, ficou menos reluzente a pole de Vettel, mais uma, sempre ele. Apesar de o maior rival do alemão neste treino, Hamilton, não ter tido a oportunidade de marcar uma série de voltas boas, o que facilitou a vida do atual campeão.

- A Ferrari parece ter dado uma micro-melhorada, ainda insuficiente para fustigar Red Bull e McLaren. E Schumacher, vejam vocês, ainda conseguiu se meter entre Alonso e Massa.

- Maldonado sempre andou bem em Mônaco pela GP2 e manteve a tradição ao levar a Williams-carroça para o Q3. Sairá em oitavo, na frente de Barrichello pela terceira vez no ano.

- Não acho que a prova vai ser das mais animadoras e espero estar equivocado.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

GP DE MÔNACO - Dia 1

Confesso que não assisti como gostaria a sempre peculiar quinta-feira da F-1 em Monte Carlo. Em tempos de Roland Garros, a prioridade vai para o torneio de tênis parisiense.

Mas assisti o bastante para perceber que nada parece muito diferente nas ruas monegascas do que aquilo visto nos primeiros finais de semana do campeonato.

Ah, mas o Alonso liderou, Hamilton também ficou à frente da Red Bull, alguém dirá. Sim, mas, pergunto eu: e daí?

As duas primeiras sessões de treinos livres servem de parâmetro muito raso, ou menos que isso. Só é bom mesmo pra palpitar.

Por sinal, acho que a pole ficará com Hamilton. Projeto vitória do espanhol, com Vettel e Button logo atrás.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

ROLAND GARROS - Hora do bicho afiar as garras

Adoro um clichê de vez em quando, então, aqui vai um: o bicho vai pegar na terceira rodada de Roland Garros. Depois de duas fases mornas, há pelos quatro jogos que prometem emoção e qualidade, entre sexta e sábado. Antes, falemos da segunda rodada.

- Por incrível que pareça, Pablo Andujar teve a oportunidade de fechar um set contra Nadal por 6-1. Três, diga-se, e, depois, mais cinco, em outros momentos da parcial. Acabou tremendo e perdendo um tie-break. Mas é flagrante: Nadal está muito abaixo do que pode. Tecnicamente, sobretudo. Deu a sorte de ter Antonio Veic na próxima fase, ao invés de Davydenko, um dos poucos que tem retrospecto favorável (6-4) nos confrontos contra o espanhol. Com essa bolinha, não chega nem à semifinal.

- Djokovic não foi tão espetacular contra Hanescu. Mas nem precisou, é verdade. Depois de abrir 2-0, sacava em 2-3 no terceiro set quando o romeno abandonou o duelo, alegando lesão muscular numa das coxas. O sérvio, agora, vai ter que jogar e suar bem mais, já que fará o jogo mais aguardado do torneio até aqui, contra del Potro. Um prato cheio para uma sexta-feira gordinha.

- Não dá pra levar em conta o desempenho de Federer nesta rodada, afinal, passar fácil pelo jovem local Maxime Teixeira era obrigação. Mas, como disse no post anterior, sinto que o suíço pode dar muito trabalho nesta edição de Roland Garros. O confronto contra Tipsarevic parece ser um bom termômetro para ver o que poderemos esperar de "Fedexpress" para o resto do campeonato.

- Como viaja, esse Murray. No primeiro e no terceiro sets, correu riscos reais de perder a parcial para Bolelli, que, apesar de ser um bom saibrista, não deveria por medo no escocês. Fez valer a melhor qualidade e fechou em 3-0 e, para a sorte dele, tem a chave mais tranquila entre os quatro "cachorrões", como diria Paulo Cleto. Na terceira rodada, encara o alemão Berrer.

- Entre os outros cabeças-de-chave, duas eliminações chamaram minha atenção. Como já disse, a de Davydenko foi uma. O russo vive uma montanha-russa de resultados e de qualidade de jogo em 2011, mas ninguém esperava que pudesse perder para Veic, que não tem nenhum resultado de expressão. A outra surpresa foi a queda de Florian Mayer para Alejandro Falla.

- Thomaz Bellucci foi soberano diante de Andreas Seppi. Letal, matador, sem dar respiro ao italiano. Isso é um excelente sinal: ganhar com facilidade dos adversários que são tecnicamente inferiores a ele, coisa que não vinha acontecendo até Madri (ok, houve uma recaída em Roma, mas farei vistas grossas). Se jogar com a mesma intensidade e, sobretudo, mantiver o excelente nível do saque, pode ir mais longe do que se pensa em Paris.

- Meus palpites para os confrontos mais interessantes:

Djokovic 2 x 3 del Potro
Gasquet 0 x 3 Bellucci
Wawrinka 1 x 3 Tsonga
Ferrer 3 x 0 Stakhovsky

e

Nadal 3 x 0 Veic
Federer 3 x 0 Tipsarevic
Murray 3 x 1 Berrer