Retrato Esportivo
O esporte sem restrições
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
UFC on FOX: Henderson x Diaz
Nenhum outro atleta do UFC participou de tantas lutas valendo cinturão em 2012 quanto Ben Henderson. Antigo campeão dos Leves no WEC, Bendo tomou a coroa de Frankie Edgar no UFC 144, defendeu-a na revanche do UFC 150 e agora colocará o reinado em jogo no UFC on Fox. Seu adversário é Nate Diaz, irmão mais novo de Nick Diaz. Uma dupla polêmica, que aposta na qualidade de seu jiu-jitsu e no alto nível de seu boxe. Tais atributos serão suficientes para bater Henderson?
Meio-médios: BJ Penn x Rory MacDonald - em poucas palavras: vai pegar fogo. Ambos trocaram muitas farpas recentemente, o que, aliás, motivou o retorno do havaiano aos octógonos após breve aposentadoria. Falar sobre as qualidades de BJ é desnecessário. Alguém que já foi campeão de duas categorias diferentes, sempre encarou suas lutas dando a cara para bater, sem ter medo de cara feia, merece reverência. Mas MacDonald é um prodígio, sem dúvida. Perdeu apenas para Carlos Condit, depois de dominar dois dos três rounds, e é considerado um "Georges St-Pierre mais jovem". Prognóstico? 50% para cada um.
Meio-pesados: Maurício Shogun x Alexander Gustafsson - claro que Shogun não é mais o mesmo de três ou quatro anos atrás. Lesões diversas fizeram com que o curitibano perdesse um pouco daquela aura avassaladora que tinha no fim do Pride e no começo do UFC. Só que tenho visto muitas pessoas dando um favoritismo ao sueco que me parece exagerado. Gustafsson foi finalizado pelo habilidoso Phil Davis e, depois, emplacou alguma boas vitórias. Mas os adversários eram tão gabaritados assim (Matyushenko, Hamill, Thiago Silva)? Não me parece o caso. Gustafsson pode explorar a maior envergadura, mas, sinceramente, Shogun, em boa forma - como parece ser o caso - é mais lutador. Acredito em um nocaute do brasileiro.
Leves: Benson Henderson x Nate Diaz - uma coisa ficou clara na coletiva pré-evento: Diaz não tem nada a perder. Ele e o irmão se consideram eternos injustiçados pelo "sistema" (parte procedente, parte chororô) e parecem carregar esse rancor para dentro do octógono. Bom trocador, bom finalizador, razoável na defesa de quedas (mesmo tendo melhorado, ainda é seu ponto fraco). O problema é que Bendo, ao meu ver, é um pouco melhor que Diaz em quase tudo, incluindo a parte física (a exceção fica com o poder de finalização de Nate). Em condições naturais de temperatura e pressão, Henderson deverá defender mais uma vez seu cinturão e aguardar por uma revanche contra Anthony Pettis, que tomou seu cinturão no último evento do WEC.
UFC on Fox - Henderson x Diaz
Key Arena, Seattle, Estados Unidos
08/12/2012, 20h (horário de Brasília)
Canal Combate (ao vivo, integral)
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
UFC 154: St-Pierre x Condit
Faz quase dois anos desde que Georges St-Pierre pisou no octógono pela última vez. Uma lesão no joelho não só tirou o canadense de combate como criou dúvidas sobre o futuro do detentor do cinturão dos meio-médios. Ao que parece, St-Pierre, felizmente, está melhor do que nunca. E nada melhor do que um bom teste para comprovar (ou não) essa recuperação.
Carlos Condit era um relativo azarão contra Nick Diaz no UFC 143. Apesar de levar em seu currículo um cinturão, do absorvido WEC, o norte-americano parecia uma escolha improvável, já que Diaz vinha de 11 vitórias seguidas, incluindo um "passeio" sobre o renomado BJ Penn. Mas Condit, de modo inteligente, se movimentou o tempo todo nos cinco rounds, impedindo que o adversário utilizasse sua arma mais forte, o boxe. Vitória unânime e justa, que lhe rendeu o cinturão interino.
O problema é que, como diz o pôster do UFC 154, só pode haver um campeão. E é sobre essa disputa que trataremos nesse post, mais adiante. Antes, falemos sobre as lutas dos brasileiros e o co-main event.
Penas: Rodrigo Damm x Antonio Carvalho - muitos consideravam Damm o favorito para vencer o primeiro TUF realizado no Brasil. Uma desidratação severa, contudo, prejudicou o funcionamento dos rins do capixaba. Assim, não pode competir nas semifinais do programa, mas se recuperou a ganhar o prêmio de finalização da noite no UFC 147, quando estrangulou Anistávio Gasparzinho. "Pato" Carvalho, seu oponente, é um lutador duro e sabe fazer um pouco de tudo. Acredito em uma luta dura, provavelmente definida por pontos e, eventualmente, por decisão dividida.
Leves: Rafael dos Anjos x Mark Bocek - dos Anjos vem em boa fase, tem jogo para dificultar a vida de muita gente top da categoria, mas não pode ser considerado favorito para esse confronto. E muito pelo fato de o estilo empregado por Bocek ser o mais amarrador possível: põe pra baixo sempre que pode, mesmo que não faça muito para tentar finalizar ou nocautear o adversário. Foi assim que o canadense venceu John Alessio no UFC 145 e, até por lutar em casa, também será o favorito no confronto com o brasileiro.
Meio-médios: Johny Hendricks x Martin Kampmann - em tese, esta luta defende o próximo contender da categoria. Coisa que ninguém imaginaria há um ano, por exemplo. Nomes como Josh Koscheck (de novo), Jon Fitch (de novo) e Anthony Johnson pareciam apostas mais promissoras. Mas os envolvidos nesse co-main event fizeram por merecer essa chance. Hendricks nocauteou Fitch em 12 segundos (!!!!) no UFC 140 e venceu Koscheck na decisão dividida no UFC on Fox 3. Já o dinamarquês reverteu lutas que pareciam perdidas, contra Thiago Alves, no UFC Austrália, e Jake Ellenberger, no TUF 15 Finale. Difícil fazer uma previsão para esse confronto, mas arrisco um KO/TKO de Hendricks.
Meio-médios: Georges St-Pierre x Carlos Condit - em plena forma, o canadense tem que ser considerado o favorito. Apesar de ser ágil, Condit não é rápido, o que facilita as tentativas de queda de St-Pierre, coisa que ele faz como poucos no MMA. Já se a luta se mantiver em pé, a história pode ser um pouco diferente. O estadunidense tem um vasto repertório, tendo nocauteado cascas-grossas como Dan Hardy (socos) e Dong-Hyun Kim (joelhada voadora), podendo surpreender St-Pierre. O palpite mais usual, porém, deve ser uma vitória por pontos do lutador da casa.
UFC 154 - St-Pierre x Condit
Centre Bell, Montreal, Canadá
17/11/2012, 21h (horário de Brasília)
Canal Combate (ao vivo, integral) e Sportv (ao vivo, card principal)
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
UFC Macau: Franklin x Le - previsões
Depois de desbravar as fronteiras norte-americanas, levando edições do evento para Brasil, Suécia e Austrália (entre outros), o UFC aterrissa na China. Em Macau, uma antiga colônia portuguesa na Ásia, Rich Franklin e Cung Le medirão forças no main event.
Vamos falar das principais lutas do card, que trará muitos desconhecidos e três brasileiros.
Moscas: John Lineker x Yasuhiro Urushitani - apesar do nome, Lineker é brasileiro sim, senhor. Ele perdeu a única luta que fez no UFC, para o francês Louis Gaudinot. O mesmo retrospecto de Urushitani no evento, derrotado por Joseph Benavidez em uma das semifinais do mini-GP que decretou a primeira disputa de cinturão da categoria. Sendo sincero, esta será a primeira vez que poderei assistir a ambos, então, nenhuma previsão a ser feita.
Meio-médios: Paulo Thiago x Dong Hyun Kim - uma das vitórias mais marcantes do representante do BOPE no UFC foi contra Josh Koscheck, quando Paulo Thiago nocauteou o favorito estadunidense de modo contundente. Mas o brasileiro tomou o troco em sua última luta, apagando ao levar um golpe de encontro no queixo, desferido pelo afegão Siyar Bahadurzada. Já o sul-coreano foi batido por Demian Maia no UFC 148, machucando as costelas numa queda, mas antes disso só havia tido uma derrota em 18 lutas - para Carlos Condit, candidato ao cinturão. O duelo promete ser equilibrado, mas em boa forma, o asiático é favorito.
Meio-pesados: Thiago Silva x Stanislav Nedkov - Silva era uma grande aposta brasileira na categoria até 93 kg, mas o doping constatado após a vitória sobre Brandon Vera fez com que ele descesse muitos degraus. Perdeu para o promissor Alexander Gustafsson em seu retorno, apesar de fazer duelo equilibrado com o sueco. Já Nedkov está afastado há mais de um ano, devido a problemas com o visto para entrar nos Estados Unidos. Na última vez em que pisou no octógono, ele venceu Luiz Cané no UFC 134, depois de apanhar durante todo o primeiro round. De todos os confrontos envolvendo brasileiros, este é aquele em que nosso representante tem mais chances de vitória.
Médios: Rich Franklin x Cung Le - para mim, um claro caso de luta em que um ídolo subestimado enfrenta um lutador superestimado. Rich Franklin já foi campeão da categoria, perdendo o cinturão para Anderson Silva, mas não é só isso. Só enfrentou cascas-grossas, como Chuck Liddell, Forest Griffin, Vitor Belfort, Wanderlei Silva, entre outros. Já Cung Le, que pode ser visto em alguns filmes de ação de Hollywood, até pode ameaçar com seus chutes bem colocados, mas os especialistas norte-americanos atribuem a ele mais valor do que realmente é justo. O vietnamita tem cartel discreto e não se sabe bem qual é o seu nível no solo. Aposto em vitória fácil do "Ace".
UFC on Fuel TV 6 / Macao - Franklin x Le
10/11/2012 - 10h (horário de Brasília)
Canal Combate (ao vivo)
Vamos falar das principais lutas do card, que trará muitos desconhecidos e três brasileiros.
Moscas: John Lineker x Yasuhiro Urushitani - apesar do nome, Lineker é brasileiro sim, senhor. Ele perdeu a única luta que fez no UFC, para o francês Louis Gaudinot. O mesmo retrospecto de Urushitani no evento, derrotado por Joseph Benavidez em uma das semifinais do mini-GP que decretou a primeira disputa de cinturão da categoria. Sendo sincero, esta será a primeira vez que poderei assistir a ambos, então, nenhuma previsão a ser feita.
Meio-médios: Paulo Thiago x Dong Hyun Kim - uma das vitórias mais marcantes do representante do BOPE no UFC foi contra Josh Koscheck, quando Paulo Thiago nocauteou o favorito estadunidense de modo contundente. Mas o brasileiro tomou o troco em sua última luta, apagando ao levar um golpe de encontro no queixo, desferido pelo afegão Siyar Bahadurzada. Já o sul-coreano foi batido por Demian Maia no UFC 148, machucando as costelas numa queda, mas antes disso só havia tido uma derrota em 18 lutas - para Carlos Condit, candidato ao cinturão. O duelo promete ser equilibrado, mas em boa forma, o asiático é favorito.
Meio-pesados: Thiago Silva x Stanislav Nedkov - Silva era uma grande aposta brasileira na categoria até 93 kg, mas o doping constatado após a vitória sobre Brandon Vera fez com que ele descesse muitos degraus. Perdeu para o promissor Alexander Gustafsson em seu retorno, apesar de fazer duelo equilibrado com o sueco. Já Nedkov está afastado há mais de um ano, devido a problemas com o visto para entrar nos Estados Unidos. Na última vez em que pisou no octógono, ele venceu Luiz Cané no UFC 134, depois de apanhar durante todo o primeiro round. De todos os confrontos envolvendo brasileiros, este é aquele em que nosso representante tem mais chances de vitória.
Médios: Rich Franklin x Cung Le - para mim, um claro caso de luta em que um ídolo subestimado enfrenta um lutador superestimado. Rich Franklin já foi campeão da categoria, perdendo o cinturão para Anderson Silva, mas não é só isso. Só enfrentou cascas-grossas, como Chuck Liddell, Forest Griffin, Vitor Belfort, Wanderlei Silva, entre outros. Já Cung Le, que pode ser visto em alguns filmes de ação de Hollywood, até pode ameaçar com seus chutes bem colocados, mas os especialistas norte-americanos atribuem a ele mais valor do que realmente é justo. O vietnamita tem cartel discreto e não se sabe bem qual é o seu nível no solo. Aposto em vitória fácil do "Ace".
UFC on Fuel TV 6 / Macao - Franklin x Le
10/11/2012 - 10h (horário de Brasília)
Canal Combate (ao vivo)
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Ano novo, vida nova
2011 foi um ano tenebroso pra mim, mas confio que 2012 seja ótimo para todos nós.
E, com isso em mente, me proponho a retomar este espaço, e, quem sabe, promovê-lo melhor.
Conto com todos.
Um 2012 nota 10 a todos que passam por aqui!
E, com isso em mente, me proponho a retomar este espaço, e, quem sabe, promovê-lo melhor.
Conto com todos.
Um 2012 nota 10 a todos que passam por aqui!
segunda-feira, 6 de junho de 2011
ROLAND GARROS - Mais do mesmo
O título do post não é, em absoluto, depreciativo ao feito de Rafael Nadal. Pelo contrário, trata-se de um elogio ao maior jogador da história nas quadras de saibro.
Ele chegou oficialmente a esse status ao derrotar Roger Federer numa final de Roland Garros pela quarta vez em seis temporadas, alcançando, assim, a sexta taça em Paris. Igualou Bjorn Borg em número de títulos nesse Grand Slam, mas, na prática, já alcançou muito mais sobre a terra batida que o sueco (32 dos 46 títulos do espanhol foram no saibro, incluindo 14 Masters Series/Masters 1000).
Há um fator que valoriza ainda mais a consagração do espanhol: ser contemporâneo de Federer, o maior de todos os tempo, de acordo, inclusive, com o próprio Nadal. O triunfo de ontem foi o 17º do Touro Miúra, contra somente oito do suíço.
Prova de que Nadal foi e é um dos poucos a conhecer os pontos fracos do recordista de Slams e, mais importante, atacá-los com eficiência. Historicamente, outro que se encaixa nesse perfil é David Nalbandian, diga-se.
Ontem, Federer teve chances, e não foram poucas, de vencer. Fez primeiro set irrepreensível até sacar em 30-15 quando liderava por 5-3, já tendo desperdiçado um set point no saque de Nadal. Esse foi o turning point da decisão. Nadal engatou cinco games vencidos na sequência, fechou em 7-5 e deu o grande passo para a conquista.
O campeão de 2009 ainda levou o segundo set para o tie-break, mas não teve êxito nele. Ganhou o terceiro set por 7-5, mas, quando parecia esboçar uma reação, foi aniquilado por Nadal na quarta e derradeira parcial.
Foi a técnica que definiu a sorte deste Roland Garros? Certamente, não. Foi a mente dominante de Rafa que preponderou sobre a de Roger. Assim, nos momentos críticos, apareceram os aces, winners e a defesa monstruosa de Nadal. E o adversário, mais uma vez, naufragou.
A liderança do ranking mundial não mudou de dono, ao contrário do que se imaginava até quatro ou cinco dias atrás. Claro, Djokovic ainda está em boa posição para chegar lá, e ainda depende só de si para tal. Mas, em Wimbledon, terá que acontecer a combinação que faltou em Roland Garros: o sérvio chegando à final ou torcendo para que Rafa não repita o título de 2010.
E, convenhamos: agora, ainda mais, apostar contra Nadal não parece ser a ideia mais inteligente.
Ele chegou oficialmente a esse status ao derrotar Roger Federer numa final de Roland Garros pela quarta vez em seis temporadas, alcançando, assim, a sexta taça em Paris. Igualou Bjorn Borg em número de títulos nesse Grand Slam, mas, na prática, já alcançou muito mais sobre a terra batida que o sueco (32 dos 46 títulos do espanhol foram no saibro, incluindo 14 Masters Series/Masters 1000).
Há um fator que valoriza ainda mais a consagração do espanhol: ser contemporâneo de Federer, o maior de todos os tempo, de acordo, inclusive, com o próprio Nadal. O triunfo de ontem foi o 17º do Touro Miúra, contra somente oito do suíço.
Prova de que Nadal foi e é um dos poucos a conhecer os pontos fracos do recordista de Slams e, mais importante, atacá-los com eficiência. Historicamente, outro que se encaixa nesse perfil é David Nalbandian, diga-se.
Ontem, Federer teve chances, e não foram poucas, de vencer. Fez primeiro set irrepreensível até sacar em 30-15 quando liderava por 5-3, já tendo desperdiçado um set point no saque de Nadal. Esse foi o turning point da decisão. Nadal engatou cinco games vencidos na sequência, fechou em 7-5 e deu o grande passo para a conquista.
O campeão de 2009 ainda levou o segundo set para o tie-break, mas não teve êxito nele. Ganhou o terceiro set por 7-5, mas, quando parecia esboçar uma reação, foi aniquilado por Nadal na quarta e derradeira parcial.
Foi a técnica que definiu a sorte deste Roland Garros? Certamente, não. Foi a mente dominante de Rafa que preponderou sobre a de Roger. Assim, nos momentos críticos, apareceram os aces, winners e a defesa monstruosa de Nadal. E o adversário, mais uma vez, naufragou.
A liderança do ranking mundial não mudou de dono, ao contrário do que se imaginava até quatro ou cinco dias atrás. Claro, Djokovic ainda está em boa posição para chegar lá, e ainda depende só de si para tal. Mas, em Wimbledon, terá que acontecer a combinação que faltou em Roland Garros: o sérvio chegando à final ou torcendo para que Rafa não repita o título de 2010.
E, convenhamos: agora, ainda mais, apostar contra Nadal não parece ser a ideia mais inteligente.
sábado, 4 de junho de 2011
ROLAND GARROS - Para um torneio épico, uma final entre gênios
Não pude escrever as análises de Roland Garros fase a fase, como pretendia. Mas houve tempo para que eu pudesse relatar os jogos semifinais da chave masculina. Um deles, diga-se, entrou para a história e na minha lista dos cinco melhores que já vi.
Marchemos em ordem cronológica. Na primeira partida, o desleixado Andy Murray não parecia ter estabilidade o bastante para prevalecer num duelo de cinco sets contra Rafael Nadal.
E não teve mesmo.
O espanhol utilizou a característica mais marcante dele próprio no saibro: o poder supremo nas devoluções. Mais precisamente: a capacidade de intimidar o saque do adversário, utilizando a postura vencedora e golpes de muita intensidade e qualidade, fazendo com que o oponente sofra e sue sangue para confirmar o serviço.
Aliás, é bom que se frise: não há mais nenhuma grande brecha no jogo de Nadal. Forehand matador, backhand estável, subidas à rede seguidas de bons voleios. E muita, muita perna. Chegando em todas as bolas.
Em Roland Garros, contudo, o saque do "touro miúra" tem sido menos eficiente do que de costume. Tanto que Murray teve mais break points do que ele (18 a 13). Como disse anteriormente, a diferença foi a devolução de Nadal, e, consequentemente, a conversão de mais chances de quebra do que o adversário (6 a 3). No fim das contas, 6-4/7-5/6-4 foi um placar justo e mostrou que Andy ainda tem muito a melhorar nos jogos decisivos contra os cachorrões.
E, na sequência, veio o clássico. O jogão.
Djokovic assumiria a liderança do ranking mundial com a vitória e, de quebra, estenderia sua invencibilidade a 44 jogos, um feito e tanto no tênis moderno. Estava mais descansado que o adversário, tendo em vista a classificação por W.O (graças à desistência de Fábio Fognini antes do confronto válido pelas quartas). Era o destino conspirando a favor do sérvio, evidente.
Mas o senhor (monsieur fica melhor) Destino esqueceu de combinar com o rival de Nole nessa semifinal. Que não ganhou nenhum título em 2011, tendo sido derrotado pelo próprio Djokovic em três ocasiões na atual temporada. Que, de acordo com muitos, já estava começando a pensar na aposentadoria, já que a qualidade de jogo parecia estar em declínio.
Só que... uma vez Roger Federer, sempre Roger Federer.
E ele fez como nos melhores momentos da carreira. Talvez, num nível superior a qualquer outra partida que ele tenha disputado no saibro.
O suíço atacou e se defendeu com maestria rara, que só os grandes gênios do esporte são capazes de utilizar. O desempenho no segundo set, diga-se de passagem, foi espetacular, coisa de filme. Mas era real, muito real.
A valentia de Djokovic esteve lá, e ajudou o número 2 do mundo a faturar o terceiro set, mas só serviu para adiar o golpe de misericórdia desferido por Federer, no tie-break do quarto set, fechando tudo em 3 a 1 (7-6/6-3/3-6/7-6). Uma batalha em altíssimo nível.
Para mim, sendo honesto, foi difícil assistir a esse jogo. São meus dois favoritos na turnê, de longe. Estilos diferentes, mas qualidade e carisma lá em cima. Veja abaixo o ponto que definiu o jogo.
O que esperar da final
Não sei se o histórico entre Nadal e Federer em Roland Garros vai ter alguma influência na partida de amanhã em termos de motivação. Creio que não, sobretudo por ambos serem supermotivados por natureza. Nasceram para vencer, em resumo, e sempre fazem tudo o que podem para chegar lá.
O que, de fato, poderá pesar é o estilo de jogo dos dois. Todos sabemos que o hyper top spin do espanhol castiga sem dó o suíço, especialmente no revés. Se eu tivesse que apontar um placar e um favorito, racionalmente diria 3 a 1 para Nadal.
Mas minha torcida será intensa pelo Fedexpress.
Marchemos em ordem cronológica. Na primeira partida, o desleixado Andy Murray não parecia ter estabilidade o bastante para prevalecer num duelo de cinco sets contra Rafael Nadal.
E não teve mesmo.
O espanhol utilizou a característica mais marcante dele próprio no saibro: o poder supremo nas devoluções. Mais precisamente: a capacidade de intimidar o saque do adversário, utilizando a postura vencedora e golpes de muita intensidade e qualidade, fazendo com que o oponente sofra e sue sangue para confirmar o serviço.
Aliás, é bom que se frise: não há mais nenhuma grande brecha no jogo de Nadal. Forehand matador, backhand estável, subidas à rede seguidas de bons voleios. E muita, muita perna. Chegando em todas as bolas.
Em Roland Garros, contudo, o saque do "touro miúra" tem sido menos eficiente do que de costume. Tanto que Murray teve mais break points do que ele (18 a 13). Como disse anteriormente, a diferença foi a devolução de Nadal, e, consequentemente, a conversão de mais chances de quebra do que o adversário (6 a 3). No fim das contas, 6-4/7-5/6-4 foi um placar justo e mostrou que Andy ainda tem muito a melhorar nos jogos decisivos contra os cachorrões.
E, na sequência, veio o clássico. O jogão.
Djokovic assumiria a liderança do ranking mundial com a vitória e, de quebra, estenderia sua invencibilidade a 44 jogos, um feito e tanto no tênis moderno. Estava mais descansado que o adversário, tendo em vista a classificação por W.O (graças à desistência de Fábio Fognini antes do confronto válido pelas quartas). Era o destino conspirando a favor do sérvio, evidente.
Mas o senhor (monsieur fica melhor) Destino esqueceu de combinar com o rival de Nole nessa semifinal. Que não ganhou nenhum título em 2011, tendo sido derrotado pelo próprio Djokovic em três ocasiões na atual temporada. Que, de acordo com muitos, já estava começando a pensar na aposentadoria, já que a qualidade de jogo parecia estar em declínio.
Só que... uma vez Roger Federer, sempre Roger Federer.
E ele fez como nos melhores momentos da carreira. Talvez, num nível superior a qualquer outra partida que ele tenha disputado no saibro.
O suíço atacou e se defendeu com maestria rara, que só os grandes gênios do esporte são capazes de utilizar. O desempenho no segundo set, diga-se de passagem, foi espetacular, coisa de filme. Mas era real, muito real.
A valentia de Djokovic esteve lá, e ajudou o número 2 do mundo a faturar o terceiro set, mas só serviu para adiar o golpe de misericórdia desferido por Federer, no tie-break do quarto set, fechando tudo em 3 a 1 (7-6/6-3/3-6/7-6). Uma batalha em altíssimo nível.
Para mim, sendo honesto, foi difícil assistir a esse jogo. São meus dois favoritos na turnê, de longe. Estilos diferentes, mas qualidade e carisma lá em cima. Veja abaixo o ponto que definiu o jogo.
O que esperar da final
Não sei se o histórico entre Nadal e Federer em Roland Garros vai ter alguma influência na partida de amanhã em termos de motivação. Creio que não, sobretudo por ambos serem supermotivados por natureza. Nasceram para vencer, em resumo, e sempre fazem tudo o que podem para chegar lá.
O que, de fato, poderá pesar é o estilo de jogo dos dois. Todos sabemos que o hyper top spin do espanhol castiga sem dó o suíço, especialmente no revés. Se eu tivesse que apontar um placar e um favorito, racionalmente diria 3 a 1 para Nadal.
Mas minha torcida será intensa pelo Fedexpress.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
GP DE MÔNACO - A medida da sorte
É sintomático: quando a fase é boa, tudo dá certo. Sebastian Vettel é a mais nova prova viva disso.
Não fossem as entradas do safety-car, exatamente nos dois momentos em que aconteceram, a vitória teria sido folgada para Jenson Button. Devido, e muito, à falha da Red Bull na primeira parada do alemão, diga-se.
Mas Vettel não teve nada a ver com as pancadas de Massa e Petrov. Assim como Alonso, outro que se aproveitou desses períodos de bandeira amarela. Levou a Ferrari ao pódio pela segunda corrida seguida graças ao próprio talento, que transborda o mediano carro de 2011 da equipe italiana.
São, aliás, os rompantes de talento que Vettel e Alonso apresentam que os diferenciam dos companheiros de equipe. Tirando o GP da China, em que Webber fez, de fato, uma prova espetacular, quando foi a última vez que vimos o australiano e Massa realizarem uma grande exibição?
Outro que faz parte do grupo dos talentos acima da média, Hamilton, também foi protagonista em Monte Carlo. Ou melhor, antagonista. Batendo em Massa, Maldonado e em quem mais viesse pela frente, tomou punições e saiu bufando. Chegou a ironizar, dizendo que estaria sendo perseguido porque é negro. Algo que não parece muito razoável nos dias de hoje.
Agora vem o Canadá, uma pista simpática, uma cidade agradável. Muitos pilotos dizem que este é o GP favorito deles. E, com a asa-móvel e os pneus de algodão, deve ser, mesmo, dos mais interessantes.
Não fossem as entradas do safety-car, exatamente nos dois momentos em que aconteceram, a vitória teria sido folgada para Jenson Button. Devido, e muito, à falha da Red Bull na primeira parada do alemão, diga-se.
Mas Vettel não teve nada a ver com as pancadas de Massa e Petrov. Assim como Alonso, outro que se aproveitou desses períodos de bandeira amarela. Levou a Ferrari ao pódio pela segunda corrida seguida graças ao próprio talento, que transborda o mediano carro de 2011 da equipe italiana.
São, aliás, os rompantes de talento que Vettel e Alonso apresentam que os diferenciam dos companheiros de equipe. Tirando o GP da China, em que Webber fez, de fato, uma prova espetacular, quando foi a última vez que vimos o australiano e Massa realizarem uma grande exibição?
Outro que faz parte do grupo dos talentos acima da média, Hamilton, também foi protagonista em Monte Carlo. Ou melhor, antagonista. Batendo em Massa, Maldonado e em quem mais viesse pela frente, tomou punições e saiu bufando. Chegou a ironizar, dizendo que estaria sendo perseguido porque é negro. Algo que não parece muito razoável nos dias de hoje.
Agora vem o Canadá, uma pista simpática, uma cidade agradável. Muitos pilotos dizem que este é o GP favorito deles. E, com a asa-móvel e os pneus de algodão, deve ser, mesmo, dos mais interessantes.
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